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quinta-feira, julho 24, 2008

Histórias de criadora.Episódio 10. Da Suiça, Rosaline of Lufre

Berna



Rosaline





A mãe, Melusine of Lufre
O pai, O'Teddy Khan of LufreO avô McKittycreek SirekhanA avó paterna Stormytown Aimee Mae, A avó materna McKittycreek ShinelynO avô materno, Doublebee Black-Jack Na minha procura de novas linhas, predominantemente americanas, contactei Luzia Frenz, criadora suiça sob o afixo Lufre.
A 16 de Março nasceu a Rosaline que fui buscar a Berna o mês passado.
Adorei esta zona da Suiça que corresponde exactamente ao nosso imaginário e Berna que é uma cidade medieval maravilhosa.
A gentileza com que a sua família me acolheu permitiu-me ver mais do que um normal turista e até tive direito a participar num convívio de criadores de gatos organizado pelo seu club, um barbecue junto a um bosque.
Agradeço muito, além do acolhimento, as informações que a Luzia me deu da sua experiência e que me ajudam nesta procura infindável de conhecimento sobre a raça e a criação responsável.
A Rosaline, uma tartaruga tabby blotched com branco, é um doce e será, para o ano, uma noiva ideal para o Peppy. O nome é duma personagem do "Shakespeare in Love" e, em português, de uma canção do Fausto que usei há muitos anos como canção de embalar para as minhas filhas.
Aqui ficam as suas primeiras fotos já em nossa casa, com quase cinco meses e algumas da viagem e da sua família felina.
In my search for different MCO lines, now mostly americain ones, I made some contacts last year with Luzia Frenz, breeder under the cattery name of Lufre. On the 16th of March, Rosaline was born and I picked her up last month.
I loved this Swiss region that meets our imagination and Berne is a wonderful medieval city.
The kindness of her family and the way they receive me, allowed me to see more than a regular tourist and I even participated in a cat breeders gathering, organized by her club, a barbecue in the woods.
I'm very grateful for the nice week-end and all the information Luzia provided about her experience, very useful in this endless search for knowledge about the breed and responsable breeding.
Rosaline, a torbie with white is a very sweet girl and next year will be an ideal "fiancée" for Peppy. Her name was inspired by the movie "Shakespeare in Love" and, in portuguese, by a song of Fausto, that I used to sing, many years ago, as a lullaby for my daughters.
Here you have her first pictures at our home and some others from the journey and her feline family.

terça-feira, maio 20, 2008

Histórias de criadora. Episódio 9. Touch of Magic Cascabel Pepper

1.º dia

9 dias
1 mês
6 semanas
11 semanas
15 semanas16 semanas4 meses, a última na Holanda.
Aqui está a surpresa: Da Holanda, um novo macho para a tribo Artsycats!

Não foi fácil seguir, só por fotografia, o seu desenvolvimento, desde o dia 10 de Janeiro, quando nasceu, já depois de uns largos meses esperando que o seu pai americano se interessasse por uma noiva holandesa .
Fui finalmente, buscar o Cas (leia-se Caze) no último fim-de-semana. É um negro tabby blotched com branco, um clássico muito apreciado por cá.
Os critérios da escolha foram, um pedigree diferente, evitando as linhas de exposição mais comuns na Europa, um criador preocupado com a saúde e o temperamento dos seus gatos e não deixar perder de vista os traços que fazem de um Maine Coon o que ele é, um gato forte, bem musculado, atractivo... o futuro nos dirá se também temos aqui uma estrela das exposições.
Por agora o já se viu é que é um gatinho meigo, orientado para as pessoas, bem socializado e equilibrado...mal chegou, já estava na brincadeira com a Didi, de quem é o companheiro de jogos, apesar de ela estar a ficar uma senhora e não ter muita paciência para corridas e lutas de miúdos. Progressivamente, nos próximos dias, irá conhecer o resto do clã.
Agradeço à sua criadora Mieke Pex, a gentileza com que nos recebeu e a confiança que mostrou ao entregar-nos este "toque de magia".
Here is our surprise: From Netherlands a new stud for Artsycats tribe!
It was not easy to follow his development only by photo, since the 10th January when he was born, after a few months waiting for his americain father to be interested in a dutch girl.
Finnaly I picked Cas up last weekend. He's a black tabby blotched with white, a real classic very fancied in our country.
The choice criteria were a diferent pedigree avoiding the most common show lines in Europe, a breeder concerned with health and temperament issues in cats, without giving up the features that make a Maine Coon what he is, a strong, muscled, very atractiv cat... the future will tell us if we got also a show star.
For the time being, we already saw that he's a very sweet kitten, people oriented, well socialised and easily adjustable... from the moment he arrived he was playing with Didi, now his room mate, even if she as a young lady is not very found of silly kid's runs and fights. Step by step in the days to come he will meet the rest of the clan .
My thanks to Mieke Pex for her kindness receiving us and for the trust she showed giving us this"touch of magic".

sexta-feira, outubro 19, 2007

The Great Catsby, 20 de Maio de 2004 - 15 de Outubro de 2007






O Catsby adormeceu, ao pé de mim, pela última vez.
Estive uns dias fora, houve a exposição e na semana seguinte apercebi-me que estava a comer muito pouco. Logo a seguir começou a esconder-se e a não vir ter comigo para o habitual colinho. Tinha uma anemia gravíssima e passou a comer só o que eu lhe dava. Causada, julgava-se, por Hemabartonella, uma bactéria que ataca o sangue. Deixava que lhe desse os medicamentos e que lhe pusesse uns bocadinhos de ad pela goelita abaixo. Há uma semana, na Sexta-feira piorou e o Vet disse que só com uma transfusão poderíamos ganhar algum tempo. O Duke foi o dador. Ficou internado e pareceu melhorar um pouco. Tinha uma respiração muito ofegante, fizeram-lhe RX ao tórax, tinha uma mancha no pulmão e líquido. A punção mostrou células alteradas. A bartonella teria aproveitado a fragilidade para se manifestar mas era, estavam convencidos, linfoma. O líquido não conseguiam tirar todo. Era segunda-feira e tinham desistido. À tarde, eu desisti também.
Tinha três anos, estava testado em relação às doenças que nos preocupam como criadores e como não marcava era um reprodutor fácil de ter em casa. Não gostava de exposições mas já era campeão Cfa e Fife, a sua "carreira" estava feita. Mais importante, tinha um feitio doce e muito comunicativo.
Nesta grande tribo é insubstituível. Era o meu gato.

domingo, junho 03, 2007

A Fin está doente.

Um dos medos dos criadores é a piómetra, infecção grave do útero e que leva, quase sempre, à esterilização das gatas, quando não acontece pior. Esta ainda não me tinha batido à porta, mas foi agora com a Fin. A vontade do meu veterinário era operar logo, pois como ele diz e bem, quando lhe aparecem gatas assim, é normalmente, porque os donos teimaram em ter gatas de companhia sem as operar e quer os repetidos cios, quer a pílula, provocam estas situações, que podem pôr em risco a própria vida do bicho. Aqui não é o caso, mas...
A Fin ficou logo na segunda-feira a antibiótico, para ser operada na quarta, ou na quinta. A minha rede internacional de criadores amigos, informou-me que, quando não é uma situação de emergência e o estado geral da gata é bom, pode ser tratável. Merece pelo menos uma tentativa. Sugeri com toda a diplomacia o protocolo que seguem nestes casos e ele lá foi fazer a sua investigação. Acabou por concordar, com algumas reservas e muita vigilância. Isso implicou que eu esteja a dar as primeiras injecções da minha vida que se vão prolongar até ao próximo Sábado.
Sempre com antibiótico, até ao próximo ciclo e depois deixá-la engravidar, porque ao que parece, ajuda a resolver a questão. Não sei se lá chegaremos, mas estamos a fazer por isso.
Ela lá continua sem grandes convívios com os outros gatos. Dos pequeninos gosta e toma conta, mesmo que não sejam os seus. Aqui a vemos, ontem, na sesta com a BB, filha da Moonie, que tem exactamente a cor da Tia.

domingo, março 11, 2007

Histórias de criadora. Episódio 8. Os Checos.



Para poder evoluir na criação não é possível ter sempre o mesmo macho. Precisamos de ter novas cores de pelagem, poder ficar com fêmeas que não sejam relacionadas com o principal patriarca, o Catsby, e aprender a analisar o resultado de cruzamentos diferentes.
O Hitchcock foi a opção seguinte. Lindo, vermelho tabby mackerel com branco, um doce de feitio. Fez o seu percurso nas exposições e rapidamente, ainda não tinha um ano, depois de uma ida a Espanha, atingiu o estatuto de Campeão Internacional. Nessa altura, era tempo de ser pai e tratei de fazer os indispensáveis testes. Ao prepará-lo para o RX da anca o veterinário especialista pergunta ao Colega, o nosso habitual vet. Já avisaste a senhora que o gato só tem um testículo descido? Que é monorquídico? Fiquei gelada e o médico também. Competente a tratar de animais doentes, mas pouco habituado às preocupações da criação nunca tinha reparado e nas exposições o "pormenor" essencial também tinha passado. Foi com tristeza que castrámos um espectacular gato que não devia passar esse seu defeito às gerações futuras. Mas que pena...
Havia que recomeçar!
A criadora propôs o substituto, um belo black silver, Duke, mas antes de o receber tínhamos um problema para resolver. Deixar partir um gato que esteve connosco um ano e ao qual nos afeiçoámos. Esta é uma questão que temos de encarar algumas vezes, porque, mesmo partilhando-os com as filhas, que vivem no mesmo prédio, não podemos juntar muitos gatos e aumentar os riscos de incompatibilidades entre eles. Por outro lado, com a atenção prioritária que damos às crias e às mães na maternidade, não sobra tempo para mimar os outros como merecem. O Cocas, como lhe chamávamos foi para o Algarve, viver à beira-mar, com um óptimo dono humano e com alguns amigos, um cão, gatos e peixes... de todos vamos tendo, periodicamente, notícias.
Passados alguns meses veio o Duke Ellington e a fazer-lhe companhia, cantando é claro, a Ella Fitz. Desenvolveram-se bem, são grandes, tipados como os seus bem conhecidos antepassados, mas, quando chegaram desapontaram-me, por virem tão magrizelas. Se um gatinho não está pronto por qualquer razão, o criador deve esperar que esteja...acho eu...
Este ano espero, ansiosamente, as ninhadas de todos eles, o resultado desta paixão.

quinta-feira, março 01, 2007

Histórias de criadora. Episódio 7. "Sweet Moonie"

Desde o início que a minha filha e "sócia" de aventura, desejava uma black silver, para fechar a colecção. Como já terão percebido, desde o primeiro casal que estávamos a fechar a colecção. Agora já não se diz nada...
Do mesmo grupo de criadores ligados pelo Pawpeds, e não só, era uma senhora belga de que eu já tinha referências através de um criador espanhol da "nova geração", que tinha dela uma gata silver mackerel e que foi muito influenciado pela sua maneira de encarar a criação com preocupações de saúde e de equilíbrio genético.

Uma viagem, mais fácil desta vez, até Bruxelas, com um pouco de comboio a seguir, para chegar a gatos e gatinhos, na sua maioria "silver". Midsomer Wellow, nome inspirado de uma série policial que acho, nunca passou por cá, já era chamada Moonie e não era negra silver, mas tartaruga silver, com umas manchinhas vermelhas no focinho como se tivesse acabado de pôr blush...
Muita conversa, mais argumentativa da minha parte, que já tinha entretanto, ido a exposições e percebido que o estalão do MCO que aí é exigido, passa por um bom tamanho, focinho bem quadrado e orelhas grandes e bem colocadas, o que nem sempre se encontra, ou melhor, raramente se encontra, em gatos de fundação. A Moonie, uma F3, como já tinha acontecido com a Choice, cumpria os requisitos da raça e ambas conseguiram os seus três Cac para Campeãs, mas não teriam maiores vôos. Já era minha intenção, nesta altura, arranjar, para além do Catsby, um outro noivo com um pedigree de exposição que as complementasse, mesmo contra a vontade das minhas novas amigas que não me queriam ver fora da linha delas. Por mim, achava que tinha que arranjar maneira de ficar com o melhor dos dois mundos.
A Moonie é a mais doce das gatinhas e ao mesmo tempo a mais sociável, com os humanos e com o resto da colónia. Não sei como ela faz, mas entende-se bem com todos eles, mesmo com o velho Cliff e com a reservada Fin. Adoram-na. O ídolo dela, no entanto, é o Freud, o cão. Com muito esforço lá lhe consegui explicar que o amor entre espécies é bonito mas pouco compensador...
Durante uns dias lá deu alguma atenção ao Duke e esperamos, para o fim de Março, uma bela ninhada silver que seja o resultado desse ambicionado equilíbrio entre a beleza e o tamanho do pai e a doçura e diversidade genética da mãe.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Histórias de criadora. Episódio 6. A sueca.

Continuavam os contactos com criadores, agora nórdicos. Ulrika Olsson tem feito um notável trabalho com a base de dados Pawpeds de que é uma das fundadoras. Segui atentamente uma ninhada "Hergé" que teve, com todos os gatinhos com nomes saídos da banda desenhada Tintin. Não consegui ficar com nenhum mas, de uma segunda ninhada, apalavrou-se a sueca "Fröken Finemang", uma magnífica "calico". Aqui temos a ninhada da Fin em que é a mais gordinha e a sua primeira foto com um dia.

Há vários nomes para estas gatinhas que têm o preto e o vermelho misturado e neste caso com branco também. Em português são tartarugas, tortoiseshell em inglês, diminutivo "torties" ou "torbies" consoante sejam sólidas ou tabbies. Calico é americano e são gatos da sorte. Dizem...
Quanto ao seu nome, é inspirado de um conto infantil sueco e quer dizer Miss Finemang.
As exigências eram enormes em termos de compromissos como futura criadora. O facto de ser novata não lhe inspirava muita confiança e claro impunha-se mais uma viagem, agora ao país do frio. Estávamos em Janeiro de 2005, quando lá fui, para mais um exame. De Estocolmo para o Norte, de comboio, para um fim-de semana, em que muito se falou de gatos, de criação, tendo visitado também outra criadora, dona da avó da Fin, a Fanny, que tinha tido nesses dias, aos dez anos, a sua última ninhada. Uma beleza de gata preta e os primeiros bébés que eu via, ainda com os olhitos fechados. A casinha é a "guest house" onde fiquei, numa vila, no meio da floresta.
Tive também direito a um verdadeiro seminário sobre os antepassados ilustres dos MCO, as várias linhagens americanas iniciais e as várias tendências. Esta facção é adepta de um Maine Coon de tipo médio, com ar doce, mais próximo dos primeiros, contrariamente a outros que o preferem extremo, de focinho mais longo, look selvagem, como evoluiu na Europa.
A Fin é uma gata muito ligada a mim e dispensava o convívio com os seus semelhantes. Vive satisfeita sózinha na sala, ou, como agora, no meu quarto, à espera dos bébés. Foi mãe, a primeira vez, muito oportunamente, num domingo de manhã. Quando começaram as contracções não me deixava sair de perto dela, gritando e levantando-se. Levei o ninho para a minha cama e esperei pacientemente. Passado uma hora e pouco "mostrava-me" o seu pequenino. Desta vez tudo tinha corrido bem. Era só um, o Simply Red. Na segunda foram dois, o Joe Black e o Bob Red. E agora vamos ver....

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Histórias de criadora. Episódio 5. K Choice, a vermelhinha.

Comecei as difíceis negociações para a compra da Choice. Ainda não estavam concluídas, já de Espanha me perguntavam porque queria eu comprar "gatos de rua" em vez de linhas "controladas" de exposição. Ora, nem os gatos "foundation" são de rua, nem as linhas de exposição estão controladas. Mas adiante...ou seja, para se saber em Espanha, que eu pretendia uma gata alemã, o que teria acontecido? Simplesmente a criadora alemã tinha ido tirar informações minhas. Engraçado não é? Agora avanço logo com as referências, que nem sempre podem ser as mesmas, tendo em conta as várias facções.
Eu tinha, por fim, fotos da minha rara gatinha vermelha,esta com cinco meses. Só faltava ir buscá-la. A criadora vivia numa zona da Alemanha ao lado da fronteira com a Republica Checa, longe de qualquer aeroporto alemão. Resolvi aproveitar uma viagem de turismo a Praga, alugar um carro, e após umas horas de viagem, lá andava eu, na Floresta da Boémia, ao cair do dia, à procura da vila pretendida, da casa e dum WW cinzento por baixo da janela duma cozinha. Eram mais ou menos as referências, não muito fáceis, numa zona onde não há uma alma que fale inglês e o meu alemão enferrujado desde o liceu. Ainda cheguei a tempo de sofrer um escrutínio severo à roda de uma chávena de chá, mas fui aprovada. A Choice era pequenota, tinha uma magnífica pelagem alperce maduro e pareceu-me um pouco tímida. Veio comigo de volta e tornou-se a número dois, doce mas fugidia, precisando de muita paciência para se sentir confiante.
A sua primeira ninhada foi um incontável desastre, com uma única sobrevivente em cinco, a Nina, pequenina também, e uma agitação de dois dias. Da segunda, ficámos com o Phil, único, de novo em cinco, e, depois de vinte e quatro horas de interrupção no trabalho de parto, quando ainda faltava um, optei pela cesariana e pela esterilização simultânea, já que não valia a pena insistir. A Choice com o seu fantástico pedigree de quatro gerações de gatos testados não era feita para a maternidade.
No fim desta intervenção, comum para os veterinários, uma paragem respiratória, inesperadamente, levou-a, apanhando-me desprevenida e fazendo-me duvidar da continuação desta actividade. A sua criadora também ficou inconsolável. Do filhote já sabem a história, contamos com ele este ano, e com a boa vontade da sua dona, para dar continuidade à linhagem da mãe. E pode ser que eu ainda venha a ter uma nova gatinha vermelha.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Histórias de criadora, Episódio 4. A primeira correcção de rumo.

O novo grupo de aquisições que se seguiu resultou da boa impressão que me causaram as criadoras de linhas "outcross" e "foundation", ou seja, de linhas em que se procura maior diversidade, quer recuperando linhas antigas menos usadas, quer optando por linhas novas, recentes.
Os livros de origens do Maine Coon, nos USA, ainda estão abertos. Quer isso dizer que é possível registar um gato que tem as características da raça mas de que se desconhecem os progenitores. Esse gato é um F1. Isto acontece na zona este dos USA, Maine e estados vizinhos, e do Canadá.
Este trabalho, que considero muito meritório, é extremamente difícil, porque as ninhadas que estes gatos produzem são muito heterogéneas e podem aparecer gatinhos que não tenham as características essencias da raça. É uma dura selecção em que, procurando-se a diversidade que traz força e resistência à raça, a chamada força da heterose, também se encontra, além da falta de tipo, taras, doenças ou desconformidades comportamentais, que impõem a eliminação da linha do programa de criação, o que também deveria acontecer nos pedigrees de exposição mas, aí, outros valores se levantam...
Na Europa há quem tenha aproveitado este trabalho levado a cabo por criadores americanos e canadianos e utilizado gatos "foundation" (F1 a F6), misturando-os nas suas linhas ou trabalhando a partir exclusivamente destes. Estes criadores são muito exigentes no que respeita à saúde dos gatos, tendo, por vezes, várias gerações de gatos testados em relação às principais doenças que afectam os MCO. Há também uma política de abertura e transparência na criação, criando bases de dados e programas de saúde onde se ousa, finalmente, dizer: o meu gato X ou Y, teve estas doenças. Mas, sobre as questões de saúde falarei mais tarde, para não me desviar.
É difícil convencer estes criadores a mandarem os seus gatinhos por avião. Querem que os compradores os vão buscar, pessoalmente, e que se comprometam a continuar o mesmo caminho. Testando, seleccionando, e não vendendo, para criação, a quem não segue a mesma política.
E foi assim que tive que pôr pernas ao caminho e ir buscar, pessoalmente, a Choice à Alemanha, a Fin à Suécia e a Moonie à Bélgica.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Histórias de criadora,Episódio 3. As exposições.


O mundo das exposições, felinas ou caninas, é especial mas indispensável para um criador que se preze. Para nós, as nossas pequenas preciosidades peludas são as mais belas do mundo e a opinião dos outros não nos interessa nada...mas, não é bem assim.
Realmente, só depois de muitos anos de experiência, um criador é capaz de avaliar bem os seus gatos. Levá-los às exposições, vê-los serem julgados e comparados, aprender a linguagem esotérica dos "pontos", dos Cac e Cacib, perceber porque diabo de ordem são chamados, a que grupo e cor pertencem, com todos os códigos e tiques, faz parte do querer criar bem.
Claro que os juízes ao dizerem-nos que o "grooming" (a toilette do gato) não está em boas condições, quando perdemos mais de uma hora no banho do bicho, fazem-nos sentir "maçaricos". Não tem muita importância, na próxima já tentamos fazer melhor.
É também o primeiro contacto com os outros criadores e os outros gatos. Para mim, que só gostava de gatos de rua e, mais tarde, do Maine Coon porque tinha ar de gato, foi uma revelação! Já os conheço, já gosto e já sei os nomes, das raças, e dos próprios gatos.
É também o melhor sítio para falar...de gatos. Este hobby é muito absorvente e há uma altura em que a família e os amigos já não nos suportam com as nossas intermináveis conversas sobre os bichanos e as descobertas que sobre eles fazemos. É o momento de começar a conviver com quem tem os mesmos interesses.
Claro que nem tudo é bom, há alguma má língua, invejozites e vaidades despropositadas, mas como em qualquer outra, separando o trigo do joio, é uma actividade que distrai, proporciona convívio e, sobretudo, em que aprendemos mais sobre a raça que criamos.
Quanto aos gatos, há os que gostam de se exibir e os outros que nem tanto...o doce Catsby passou por fera quando, enervado pelos outros machos demasiado perto, me deu uma unhada na vista quando fiz o disparate de meter a minha cabeça na gaiola para lhe dar um miminho. Fiquei conhecida de todos nesse dia e dei má reputação ao pobre gato. Inexperiência!

Histórias de criadora, Episódio 2. Os bébés

Tinham finalmente chegado.
Primeiro a Carlota, uns meses mais tarde o Catsby, também chamado por nós, o Bi. Eram umas bolas de pelo e faziam uns ruídinhos curiosos, mais pareciam rolas do que gatos. Como não gosto de bichos muito barulhentos, para isso basta-me o Freud, fiquei encantada. Ambos eram curiosos sempre a querer ver o que estávamos a fazer. Ela talvez mais independente e, sem dúvida, a "patroa". Comia primeiro e dava-lhe a sua sapatada de vez em quando. O cão gostou deles, o Clif, o nosso gato de rua, agora com oito anos, achou menos graça, mas resignou-se. Desde que não o maçassem muito...
Ao fim de um mês achei que o Catsby não estava a progredir muito e resolvi pesá-lo. Tinha perdido peso e a criadora dele a quem perguntei o que devia fazer, alarmou-me. Com três, quatro meses, um gatinho não perde peso se não tiver algo grave. Foi uma correria, o veterinário habitual estava de férias e felizmente, encontrei um simpático e competente casal de veterinários em Sintra, que lhe fizeram todos os exames possíveis, enquanto ele deixava de comer e já só vivia no meu quarto e no da minha filha e "sócia". A ligação foi especial e ficou para sempre, a ternura com que se encostava a nós e como deixava fazer todas as judiarias médicas. De repente começou a comer alguma coisa e a melhorar mas alguns valores ainda não estavam normais. Pensávamos que já não serviria para criação. O veterinário aconselhou-me a esperar e a dar-lhe tempo.
Nunca se conseguiu perceber o que teve, uma planta tóxica do terraço, alguma infecção, tanto exame e nenhum foi conclusivo. Para nós, tinha sido a primeira má experiência. Os bichos podem ficar doentes e podemos ficar sem eles.
Com o Catsby recuperado, era a altura de nos iniciarmos nesse mundo novo das exposições felinas.

Histórias de criadora, Episódio 1. O ínicio.

Quando, há três anos atrás, me lancei nesta grande aventura de ter Maine Coons, estava longe de imaginar o que isso ia mudar os meus interesses e até, em certa medida, a minha vida. Criar, como hobby, era ter um casal de gatos que teriam, pelas leis da Natureza, gatinhos. As gatas sendo boas mães não iriam precisar dos meus serviços e eu proporcionaria comida, carinho e conforto. Estava feito!
Deveria escolher então as cores. Comecei por gostar dos mais típicos, os brown/black blotched tabby, sendo o castanho e o preto, obviamente as cores, o tabby era o padrão (por oposição aos sólidos que não têm marcas) e o blotched o tipo de padrão (por oposição ao mackerel/tigrado) e assim encomendei e esperei ansiosamente, meses, pelo primeiro casal, depois de procurar na net os de que mais gostava pelas fotos que via todos os dias.
Pouco depois achei que não poderia passar sem uma gata vermelha/red (aquele alaranjado intenso), sem saber que são raras e que não ia ser tarefa fácil, porque ambos os pais têm que ter a mesma cor. E foi justamente ao procurar essa pérola rara, que contactei uma criadora inglesa, a quem não cheguei a comprar gato algum, por falta da cor pretendida, que me perguntou:
- Você sabe que gatos está a comprar? Sabe que algumas linhas de exposição têm mais doenças que outras? E sobre os pedigrees e a genética, tem informação? Conhece algum criador, mesmo de outra raça, que a possa ajudar em geral e nos partos?
A todas estas perguntas a minha resposta era lamentavelmente, não!
Mas, pela primeira vez, alguém se preocupava. Essa senhora não deu opiniões, não disse mal dos colegas, alertou. Sugeriu-me que contactasse outras criadoras que me poderiam dar alguma orientação, palavra de que não gosto muito, mas que se revelou providencial.
Lancei-me na Amazon em busca de informação e encomendei uma molhada de livros, sobre a raça e sobre criação e genética. Passei a dedicar algum tempo ao Pawpeds, uma base de dados sobre pedigrees, que tem imensos artigos sobre estes temas. E contactei mais criadores.
Surgiram então as grandes clivagens, os partidários das linhas de exposição opõem-se ferozmente aos de linhas outcross e foundation, a pretexto de que os gatos não correspondem ao estalão, não são tão "tipados", gatos de rua, chegam a dizer. Os outros criticam o excesso de endogamia (inbreeding) e o silêncio, a que o ambiente das exposições e a vontade de ganhar votou a questão mais importante, a saúde dos gatos.
Ao falar com uns e com outros e alguns contactos também no mundo dos cães, cheguei à conclusão que a questão não tem a ver com Maine Coons. O equilíbrio do triângulo, saúde, temperamento, beleza, é crítico em várias raças, sejam de gatos ou de cães e certamente de outros animais também.
Mas era tempo de receber a Carlota, de Espanha e o Grande Catsby da Alemanha. As viagens de avião correram bem e eu tinha finalmente Maine Coons ao vivo, para apreciar e acarinhar.